Exposição coletiva investiga temas como trabalho, fome e desejo, a partir de um objeto popular brasileiro, com obras de Anna Bella Geiger, Cildo Meireles, Carlos Vergara, Carlos Zílio, Waltércio Caldas e Lenora de Barros
A Anita Schwartz Galeria de Arte, na Gávea, inaugura na próxima terça-feira, no dia 23 de junho, às 19h, a coletiva Marmita, que reúne artistas de diferentes gerações sob a curadoria de Ulisses Carrilho. A mostra elege um objeto coadjuvante do cotidiano brasileiro como fio condutor para examinar as relações entre trabalho, fome e desejo no país. Poucos objetos circularam por tantos territórios da vida nacional.
Companheira do operário no chão de fábrica e do trabalhador em trânsito pelas grandes cidades, a marmita serviu de emblema político já na campanha presidencial de Eurico Gaspar Dutra, em 1945, quando o “marmiteiro” virou personagem de um dos jingles mais lembrados da história eleitoral brasileira. De lá para cá, o recipiente nunca saiu de cena: condensou, ao mesmo tempo, a precariedade e a dignidade do trabalho, a escassez e a garantia do sustento.

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